BARILOCHE – PATAGONIA ARGENTINA

Em época de temporada de Inverno que começa, e como não vou ter tempo de ir a Bariloche antes das férias de julho (outro destino me espera!), resolvi re editar este post, pensando nos tantos emails recebidos perguntando sobre estações de esqui e lugares para visitar neste inverno argentino. Eu, como boa apaixonada pela Patagonia, não podia deixar de falar dela. Relembrando, então, Bariloche – Patagonia Argentina.

Conhecer a Patagonia sempre foi, para mim, um sonho. Bariloche era história pendente. Meu lado aventureiro é o grande responsável pelo meu “pézinho na estrada” que me faz viajar… Então, decidi começar, de uma vez, por este lugar maravilhoso: Bariloche, destino de tantos brasileiros. Linda, no inverno e no verão. Fui no inverno, em setembro, antes da chegada da primavera. E pretendo voltar no verão, para poder ter as duas versões.

Meus agradecimentos mais do que especiais para  LATAM Argentina, Destino Argentina, Turisur Turismo Lacustre, Hotel PanamericanoCharming Luxury Lodge Hotel e Bariloche Turismo – Emprotur, que organizaram toda a minha viagem.

Dizer que eu me apaixonei por Bariloche é pouco. Na verdade, faltam palavras pra descrever a minha sensação, que foi única assim que eu coloquei os pés no aeroporto. Não, assim que o avião estava aterrissando, na verdade. Porque o incrível começa já na chegada: o aeroporto está numa região de estepe. Sim, vegetação de estepe, rasteira, de frio, de ficar boquiaberto olhando. Saindo do aeroporto, uns poucos quilômetros mais e tudo muda: verde, muito verde. E mais um pouquinho, picos nevados. Coisa de doido! Num frio de 0 graus a natureza se revela a cada 5 km. Impressionante…

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINABariloche é assim, essa mistura de uma flora única, clima frio e seco, uma fauna local muito diferente. A cidade está a 14km do aeroporto. Logo depois da cidade começa a Av. Bustillo, que vai até o famoso hotel Llao Llao – onde tomei um chá da tarde maravilhoso, servido no jardim de inverno do hotel, rodeada em toda a sua extensão pelo Lago Nahuel Huapi e tendo como pano de fundo os Andes.

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINAO Nahuel Huapi é um lago de águas geladas e limpas, incrivelmente grande, de origem glacial, com direito a prainhas e tudo o mais – prainhas que no verão enchem de gente. A água, de tão fria, parece tirada do freezer.

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O céu de Bariloche é também indescritível. Pude ver os amanheceres e entardeceres mais lindos que se possa imaginar. As cores mudam de uma hora para a outra. Como eu costumo dizer, na hora de repartir a natureza nessa região, Deus estava com um excelente humor!BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINA

A quantidade de lugares para conhecer é tanta que não é possível chegar nem na metade em menos de duas semanas. Claro que sempre há os destinos mais turísticos e preferidos pela galera que viaja. Eu tentei fazer um pouco de tudo o que pude em cinco dias, mas as atividades de aventura ficaram para a próxima viagem.

Vou tentar passar dicas de tudo, desde a chegada no aeroporto até onde se hospedar e comer, passando pelos passeios que fiz e acho imperdíveis.

1. CHEGANDO AO AEROPORTO

A Aeroporto de Bariloche é muito tranquilo. Pequeno, bem organizado, então tanto na chegada quanto na saída não há maiores problemas. Eu fui com um transfer contratado já desde Buenos Aires, porque não gosto muito da idéia de chegar e ter que correr atrás de táxi ou afins, a menos que tenha um carro alugado. Indico o Sebastián, telefone +54 0294 453-9602. Foi perfeito. Dica: comece a fotografar desde que colocar os pés em terra, porque a paisagem muda muito e é surprendente o que se vê. Vale a pena.

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2. HOTEL: NO CENTRO OU NOS ARREDORES?

Depende de cada um. Eu fiquei em ambos, um Lodge lindo no km 8 da Avenida Bustillo, o Charming Luxury  e no Panamericano, no centro da cidade. Minha preferência é sempre pelos hotéis mais afastados, ainda que isso signifique estar longe do burburinho. E é exatamente por isso, porque estou longe do barulho e da loucura. Mas essa sou eu, cada um com seu gosto. Mas se tiver que voltar, hoje, talvez escolhesse o Panamericano novamente, porque das opções na cidade é, de longe, a melhor, e me faltou andar pela cidade em si. San Carlos de Bariloche oferece uma hotelaria excelente, tem para todos os gostos e bolsos.

Hotel Panamericano

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Hotel Charming

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3. PASSEIOS

Bom, aqui a coisa complica. E muito… Eu fujo do circuito turístico convencional sempre que posso. Tanto é assim que tenho engatilhado meu retorno para Bari só pra poder fazer as atividades de aventura (sim, aquelas que eu AMO de paixão) que não dá pra fazer no inverno. Então, claro, também no inverno encontrei umas coisinhas diferentes que vou contar. Mas temos que ser justos e também visitei lugares bem turísticos – e não me arrependo, verdade seja dita – que também vou compartilhar com vocês. Todos os passeios eu fiz com a Turisur, empresa especializada em turismo lacustre (de rios) mas que também tem outros passeios ou pode indicar quem os faça. Quase todos os passeios pelos lagos, ilhas, etc., saem de Puerto Pañuelo, que fica no final da Av. Bustillo, em frente ao hotel Llao Llao.

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BOSQUE DE LOS ARRAYANES

Primeira parada mais do que turística, fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi. Famoso por ter sido a inspiração de Walt Disney quando criou a cenografia para o Bambi, pelas suas cores maravilhosas, o Bosque de los Arrayanes é úmido e as folhas não caem no inverno. O tronco é avermelhado e vai descascando, é muito lindo! Por dentro do bosque há uma escadaria que da toda a volta ao redor, então é só ir seguindo, subindo e descendo. Para chegar, somente de barco, saindo de Puerto Pañuelo.  

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ISLA VICTORIA

O passeio também é feito pela Turisur no mesmo dia que se faz o Bosque de los Arrayanes. Por isso é um dia inteiro, desde de manhã até o final da tarde. Desembarcando no Puerto Anchorena, chegamos à Isla Victoria. São 31km guardados dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi.

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BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINAA ilha tem uma longa história (que eu não vou contar pra não estragar a surpresa, claro!) e foi habitada durante muito tempo. Hoje, conta com uma pequena vila na qual vivem os guarda parques com suas famílias, além de riquíssimas fauna e flora, com espécies únicas da região. Um passeio lindo. Bariloche, em 2011, ficou coberta com as cinzas do vulcão Puyehue, que entrou em erupção. Um desastre total, a cidade ilhada por muito tempo, ruas fechadas, aroporto sem funcionar, neve suja. Mas, como a natureza é sábia, trabalhou as cinzas a seu favor e o resultado é hoje um jogo de cores em cada lago, por conta dos resíduos que se depositaram no fundo.

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O barco que nos levou se chama Modesta Victoria e é muito confortável, todo reformado e mantendo o desenho original. Tem lanchonete, aquecimento, servem lanches gostosos e café quentinho – e no frio do inverno isso é tudo, garanto. Além disso, é única a oportunidade de oferecer bolachas para as gaivotas, que vem voando comer na mão. A paisagem no caminho também é maravilhosa, pelo lago, com as montanhas e picos nevados por todo lado.

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CERRO CAMPANARIO

Bariloche tem muitos cerros (montanhas) de onde tanto se pode esquiar como ver a região e a cidade: Cerro Catedral, Cerro Bayo, Cerro Otto, Cerro Tronador (motivo principal da minha próxima visita, mas isso eu conto depois),  cada um deles tem com seu charme. Quando da minha visita, tive a “sorte” de que, justamente nessa semana, não nevou… Então, decidi não esquiar, porque não dava mesmo, nem que quisesse. Além disso, acho mais interessante conhecer o que poucos conhecem, porque o óbvio já é lógico. Então, quando fiz o Circuito Chico optei pelo Cerro Campanario. Alguém me disse (esse alguém era a dona do mercadinho na frente do hotel… rsrsrsrs) que é o único que oferece uma vista de 360° de toda a região e que bom que segui a dica. INACREDITÁVEL o que é possível ver lá de cima… As fotos mais lindas que pude tirar, de ficar de queixo caído…

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A subida é linda, são 200 metros nas cadeirinhas. Amei! E a descida também, é claro… Não há como explicar, só indo pra ver.

Bariloche: Uma Parte da Patagonia Argentina

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Como se não bastasse, lá no alto uma confitería alemã, com direito a telescópio, tortas irresistíveis e um café ou chá.

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CIRCUITO CHICO

Circuito Chico é um desses passeios imperdíveis, ainda que super turístico. É uma volta inteira, começando desde a Avenida Bustillo, passando pelo Lago Nahuel Huapi e Lago Moreno, Laguna El Trébol, as penínsulas de San Pedro e Llao Llao, Playa Bonita, Puente Angostura, Capilla San Eduardo, Villa Tacul, Lago Escondido. Dentro do circuito também é possível fazer caminhdas, trekking, biking e experimentar uma delícia gastronômica, o Curanto, que é típico da cultura mapuche, onde carnes de diferentes animais e verduras são cozidas em um buraco no chão (falando assim parece horrível, mas não é!!), feito na Colônia Suíça, dentro do Circuito Chico. Também as paisagens são únicas, como em toda Bariloche. Fotos, fotos, fotos…

Capela de São Eduardo

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINALago Moreno

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINANo vai e vem da estrada…

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PUERTO BLEST E LAGO FRÍAS 

Bom, aqui eu paro e babo, mesmo. Porque, de tudo o que eu vi, e não foi pouco, em Puerto Blest deixei meu coração. Faltam palavras para explicar o que é esse lugar, na fronteira com o Chile. Outro passeio feito com a Turisur, mais do que recomendado. Tudo, tudo, tudo é de uma beleza ímpar. Começando pelo passeio, no barco. Tive sorte, era um dia de sol, céu azul e frio congelante. Mas o frio de Bari é assim, mesmo, muito frio, só que seco. Eu que não gosto nem um pouco de frio, amei até isso. Nesse dia, zero graus. Passaram me buscar pelo hotel cedinho, às 07:00h e já direto para o Puerto Pañuelos pegar o barco e navegar pelo Nahuel Huapi até o Brazo Blest, onde está o porto de mesmo nome.

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Em Blest está o bosque valdiviano, um ecossistema único, inicialmente de floresta tropical, no qual a flora e a fauna foram se adaptando às baixas temperaturas para sobreviver, sem modificar seu padrão original. Com isso, temos uma temperatura de -10°C no inverno onde as samambaias e os bambus convivem tranquilamente. Dentro do bosque está a Cascada de los Cántaros. Para chegar subimos quase 300 degraus, parando em três mirantes, até chegar na nascente da Cascata, o Lago de los Cántaros, que se congela no inverno. Lindo demais…

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O passeio pode terminar aqui ou continuar pelo Lago Frías. Decidi continuar e não me arrependo. Um fiorde norueguês entre a Argentina e o Chile, com uma água que é puro espelho. O frio, cortante. O dia, lindo. Lá no fundo, para os que tem sorte, aparece o Tronador. Eu tive essa sorte e ele sorriu, no meio das nuvens, quando o céu abriu. Um presente merecido depois de horas de viagem.

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Ao fundo, imponente, o Tronador

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINAMuitas pessoas fazem esse trajeto para poder cruzar a fronteira com o Chile e chegar a Peulla, passando pelo Paso de las Nubes. Lá no alto está o abrigo para pernoite. Bom, essa já é outra história, que na primavera vou contar, depois que fizer o Cruce Transandino. Em Puerto Blest há uma hostería (pousada) para quem quiser ficar alguns dias e também um restaurante muito bom, porque do almoço não se escapa. Digo mais, dá muita fome mesmo, tanta caminhada e tanta emoção. Volto mil vezes, sem nem pestanejar.

ATIVIDADES DE AVENTURA

Hoje Bariloche é a capital nacional de turismo de aventura da Argentina e um dos mais importantes da América Latina. Há muito o que se fazer, tomando o cuidado de que esse tipo de atividade funciona mais na primavera e no verão. Há uma associação, a ATAP – Asociación de Turismo Activo de la Patagonia, responsável por reunir todos os provedores turísticos do setor, cuidando para que sigam as normas de segurança necessárias.  Não querendo falar mas já falando, foi organizada por mulheres…. Só podia dar certo!!

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BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINA

Se você curte trekking, biking, kayaking, caminhadas, cavalgadas, tirolesa, passeios pelos cerros, dormir no alto da montanha… Esta é a sua praia. É a minha também, por isso que vou voltar, com a ATAP organizando as atividades de uma semana de pura adrenalina, que depois será relatada em detalhes!

4. COMIDA

Bariloche é também um destino gastronômico. A oferta é enorme e deliciosa, desde os chocolates até a cerveja artesanal, tem pra todos os gostos. O que eu indico sem temor: o Cassis, o restaurante do hotel Charming, o La Cave, restaurante do hotel Panamericano, o chá do Llao Llao e o restaurante La Salamandra Pulpería (a dona é brasileira!). Fui, provei, gostei, volto.

BARILOCHE - PATAGONIA ARGENTINA

Argentina é muito grande e a Patagonia é maravilhosa e apaixonante. Sou uma descobridora/defensora/divulgadora dessa região. Espero que todos possam  descobrir cada cantinho, seguindo as dicas do blog. Mulheres, viagem, muito. Sem medo e com vontade!

As fotos que não são minhas foram gentilmente cedidas pela ATAP.